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But when you smile at
the ground it ain't hard
to tell. You don't know you're beautiful.
Here
Light up my world
©.©

Arrogante, fria e irritante, essas palavras te descrevem bem. Mas nos éramos ligados de uma maneira inexplicável. Você era meu ponto fraco, assim como eu era o seu. Não podíamos nos separar em circunstância alguma. Você sempre deu uma de difícil, nunca quis assumir seus erros e seu orgulho te prende e não te permite enxergar muitas coisas. E eu, como um tolo apaixonado sempre fui atrás, pois tinha medo de te perder.

Ciúmes era um dos maiores motivos pelo qual brigávamos, nossa ultima briga não foi diferente. Você não me deixou explicar, você apenas me pediu um tempo, e eu te dei tal tempo, tempo esse que me fez chorar demais, meus pulsos ainda doem. Já se passaram dois meses, mas mesmo assim, eu continuo a te esperar (…). Quando menos espero recebo uma noticia sua, pior do que o tempo que havia pedido. Meu celular toca e quando atendo era você:

— Alô?

Sua voz estava tremula e tensa. Mas de alguma maneira havia me deixado mais calmo.

— Oi, por onde você andou? Nunca pensei que esse tempo iria demora tanto. O que aconteceu?

— Nem eu pensei… Eu andei por ai, sem rumo, afinal, sempre fico perdida sem você.

— Hm… Então por que não volta?

— É, bem que eu queria, mas muitas coisas mudaram nesses últimos meses. Meus pais queriam algo melhor, não só pra eles, como pra mim também. Então nos mudamos para outra cidade.

— Isso é sério Carol? Você aceitou ir sem mais nem menos? E eu? E nós? Nem pra me avisar, eu fiquei dias esperando por você, eu sofri, e o pior, sozinho. Você sabe que eu só tenho você. Não acredito nisso, então tudo o que você havia me dito era mentira?

— Não tinha aceitado no começo, mas não tive escolha, você sabe como é meu pai, tudo tem que ser do jeito dele. Eu sofri também tá? Eu te amo e ainda penso em nós, como estaríamos se ainda estivéssemos juntos e…

— Estivéssemos?

— Cauê, não da mais, como que vamos nós ver? Durante esse tempo eu conheci pessoas novas e passei a te olhar de outra maneira.

— Tipo amigo? Você já me magoou demais, nem precisava ter me ligado, na boa. Espero que seja muito feliz com seu novo ‘’mundinho’’.

Não dava pra acreditar que tudo tinha acabado não me restou nada além da vontade de sair por ai quebrando tudo. Cheguei a pegar uma lamina, mas não valeria à pena, por você nada mais valeria à pena. Precisa conversar com alguém pra esfriar a cabeça. Liguei pra algumas pessoas, mas não consegui falar sobre tal assunto. Foi então que o Lucas me ligou, nós éramos irmãos, mas me afastei dele por causa dela (…)

— Oi cara, tudo bem? Ta ocupado com a Carol, ou da pra colocarmos o papo em dia?

Fechei os olhos para que as lágrimas não comessem a cair. Mas não pude me conter e continuar com um assunto qualquer (…)

— A Carol foi embora, talvez ela nunca mais volte.

— Nossa cara, que péssimo, mas como aconteceu?

— Depois daquele tempo que ela pediu, ela se mudou com os pais dela e nem me avisou nem nada, me ligou contou uma historinha lá e terminamos.

— Que bosta cara. Mas não fica assim não, bola pra frente. Precisando to aqui irmão.

— Valeu cara, vou dormir um pouco pra ver se acordo melhor. Tchau.

— Ok. Tchau.

Não era tão tarde assim, mas meus olhos estavam inchados, deitei e fiquei ouvindo música nem percebi quando peguei no sono. Não queria ter acordado, não tenho a mínima vontade de me levantar e seguir em frente. Não sem você. Fiquei deitado ali mesmo vendo o tempo passar, as horas se vão muito rápido sem você aqui pra bagunçar a cama comigo. Não queria pensar em você, mas não tinha como, pois uma boa parte de mim ainda pertence a você.

As semanas se passaram de vagar, e eu fui me recuperando aos poucos, comecei a sair de novo com os velhos amigos. Mudei por mim, afinal não teria como ser o mesmo depois de tudo (…)

Era uma quarta-feira, já estava de madrugada e estava frio, não havia estrelas no céu e as nuvens cobriam a lua sobrando apenas uma neblina intensa. Já fumei um maço inteiro de cigarro tentando me distrair da vontade de atender ao telefone que já havia tocado umas seis ou sete vezes. Era você de novo, logo agora que eu havia esquecido tudo. Droga, queria saber como estava, queria ouvir sua voz, nem que fosse por uma ultima vez, mas tinha medo de ter uma recaída. Não agüentei e atendi.

— Oi.

— Me desculpa te perturba a essa hora, sei que não me suporta mais, mas eu ainda penso em você.

— Deveria ter pensado nisso antes de ir embora.

— Fui forçada a te deixar, sei que ainda se importa comigo, pois me atendeu e esta me ouvindo. Desculpa-me por tudo, sei que não me quer mais, já deve até ter encontrado outra pessoa. Só queria me despedir de uma vez por todas. Talvez nos encontramos em outra vida, ou não (…)

— Não entendi como assim ‘’outra vida’’? O que você vai fazer?

— Me matar! Não suporto carregar toda essa culpa de um dia ter feito você sofrer. Só te peço que nunca se esqueça que eu sempre te amei e sempre que vou te proteger.

— Não, espera, não faz isso eu ainda te amo, para e pensa um pouco no que esta fazendo, por favor, não…

A ligação havia caído me desesperei, não sabia o que fazer. Foi quando percebi que ainda a amava e agora a perdi pra sempre. Tentei retornar, mas não conseguia. Sentia-me culpado por tudo. Não me restava outra escolha a não ser fazer o mesmo.

‘’ Naquele dia, a garota não havia se matado, ela havia sorrido e desistido ao ouvir ‘’não faz isso eu ainda te amo (…)” mas a ligação havia caído e ela tentou de varias vezes ligar de volta, mas não conseguia, pois ao mesmo tempo ele tentava ligar pra ela. Quando ela recebeu a noticia que ele havia morrido adoeceu e ficou internada com o tempo ela se matou’’ 

                 __ Fernanda Ribeiro (reative-me)



5 months ago · 66
original: reative-me · via made-in-bullshit